O que eu faria se vc estivesse aqui agora…

por poetamatematico

Se você estivesse aqui agora, ah! Eu sei bem o que eu faria… me empanturrava de você, te conquistava, seduzia, te domava, toda minha, tu serias. Se você estivesse aqui agora, eu começava com teus olhos, olhando teus olhos profundamente. Estudando sua íris, suas pálpebras, decorando cada parte pra que não me esquecesse nunca.

Se você estivesse aqui agora eu beijaria tua boca, mas com urgência, com volúpia, para que não houvesse arrependimentos por ter pouco. Se você estivesse aqui agora meus beijos não seriam só bocas, nem só lábios, nem só línguas. Meus beijos seriam meu corpo no teu corpo, juntos, unidos, pulsando juntos e dividindo sensações indescritíveis. Se você estivesse aqui agora, minhas mãos seriam mais que mãos. Seriam meus sentidos sendo aprofundados, a sensação do toque, alimentando outras sensações e produzindo outros sentimentos tão profundos sentimentos que não caberiam no quarto, na casa, na cidade, no céu, mas teriam a medida exata do texto, das sinestesias, das alegorias cândidas que as palavras mudam em cada regaço.

Se você estivesse aqui agora, sua nudez não viria rápida ou exigente. Viria primeiro a contemplação de cada parte exposta, seja o pescoço, o braço, a perna, o colo… cada nova parte desfraldada seria um novo conhecer, um novo detalhe descoberto, uma nova forma de ver e sentir: um novo tudo. E quando houvesse a nudez, ah! Eu lhe tocaria as costas com as mãos, com a boca para que sentisses minha barba de dois dias… seguraria a tua nuca entre as mãos com força, para saberes que és minha, naquele momento serás minha e nada podes fazer para fugir…

E te entregarias. E ao entregar-te, mostraria-me os seus, do apetitoso tamanho que mais me apetece. Grandes o suficiente para caberem nas mãos, serem tocados hora com um carinho quase insensível, hora com uma fome tão grande e tão imediata que minha boca lhe devoraria antes que disseste que me permites.

E sem permissão te beijaria o colo, o ventre, a boca mais uma vez. E sem permissão te beijaria entre as pernas e esse beijo, muito mais do que beijo, seria sentido por você como uma tempestade que bate nas janelas do teu cérebro, balança todos teus sentidos. E te sentirias confusa por teres fome de mais deste saboroso beijo, mas ganância por outra coisa mais. E suas unhas desejosas feririam minha carne e, sanguinolento e submisso, não me furtaria a dar-te mais e mais prazer quando minha boca e tua outra boca de vários lábios se encontrarem…

E tu suplicarias. E eu atenderia. E atendendo, deixar-te ia nos conduzir. Sobre mim vagarias como se cavalgasse no céu. Deixar-te-ia ser uma amazona sobre mim, corcel maduro. E minhas mãos cobririam os teus seios. E tuas mãos no meu peito seriam como rédeas e a me conduzir. E eu te ajudaria. E quando suplicante pedisses mais e mais, eu te daria tudo, tudo, com todas as minhas forças. E te entregarias, num misto tão suntuoso de sensações que por um instante perderias o espaço que existe perto de ti… e repousarias…

Mas não, possuo-te agora e deitas submissa. Respeito os primeiros minutos em que, rapidamente te recompões. E num ritmo cadenciado e crescente, seria eu a desfrutar do prazer de te dar mais prazer do que imaginas que terias. E, com os olhos muito abertos pelos novos espasmos que sentirias, gemes. Agora não há nada que segure tua boca e teus gritos podem ser ouvidos de longe. Seu corpo, coberto de suor pede mais, pede tudo, e te dou tudo. E vago na velocidade suicida e incontrolável, tão intenso que perco-te de vista.

Não estás mais ali. Sou eu. E nos perdemos. Sinto agora meu prazer que aumenta suavemente. Quero-te e dou-te o que pediras. Queres ser meu prazer e uso-te para o meu prazer. E ficas de quatro, ainda mais submissa. E deliro. Não que seja simples, descrever, apenas a sensação de possuir-te sem amarras me domina. E vou, errante e solícito, incandescente, enquanto suplicar por mim. E vou, mais e mais. Angustiante, o prazer tão próximo, tão necessário, tão urgente. Busco-o com os olhos fechados, sentindo minha virilidade em ti tão forte que não me agüento. E jorro…

E desfalecemos os dois, de olhos abertos. Agora é a melhor hora. A endorfina faz seu efeito nos nossos cérebros. Por alguns instantes não sabemos bem o que sentimos, nem descrevemos bem o que sentimos. Nestes instantes estamos vulneráveis, entregues, e por isso nos abraçamos.

E tu me beijarias, agradecida. E tu me dirias palavras bonitas e eu diria outras tantas. E desfaleceríamos, tão colados um ao outro como nunca se viu… até a próxima vez, quando tudo recomeçaria, de uma forma totalmente diferente…

6 Comentários para “O que eu faria se vc estivesse aqui agora…”

  1. Perfeito.

    Poeta, me desculpe por não conseguir formular um comentário melhor, mas suas palavras, sua crônica, a forma como você levou o texto e o sexo… bom…

    perfeito.

  2. Nossa…Eu e 1 pessoa distante desejamos, tds os dias, fazer as mesma coisas dessa crônica poética maravilhosa

  3. Nossa, que incrível! Que sensibilidade. Tô encantada.

  4. BELÍSSIMO! Fiquei imaginando eu e uma pessoa( Fabio) que amo de forma tão forte, que cheguei
    a sentir uma certa ‘paralisia’,ou não… extremamente sonhado…querendo tudo isso e mais um pouco, se possível… ele é o amor que vive…até o fim…em mim…pena que ele não me buscou…

  5. Oh céus, que magnifico! Não tenho palavras para descrever quaisquer elogio.

  6. Uou, esse foi o melhor texto que já li que descreve o amor, as sensações de duas pessoas que se amam, contemplando esse sentimento de amos, em um só ser. É um texto esplendido.

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