Arquivo para janeiro, 2011

janeiro 30, 2011

O que eu faria se vc estivesse aqui agora…

por poetamatematico

Se você estivesse aqui agora, ah! Eu sei bem o que eu faria… me empanturrava de você, te conquistava, seduzia, te domava, toda minha, tu serias. Se você estivesse aqui agora, eu começava com teus olhos, olhando teus olhos profundamente. Estudando sua íris, suas pálpebras, decorando cada parte pra que não me esquecesse nunca.

Se você estivesse aqui agora eu beijaria tua boca, mas com urgência, com volúpia, para que não houvesse arrependimentos por ter pouco. Se você estivesse aqui agora meus beijos não seriam só bocas, nem só lábios, nem só línguas. Meus beijos seriam meu corpo no teu corpo, juntos, unidos, pulsando juntos e dividindo sensações indescritíveis. Se você estivesse aqui agora, minhas mãos seriam mais que mãos. Seriam meus sentidos sendo aprofundados, a sensação do toque, alimentando outras sensações e produzindo outros sentimentos tão profundos sentimentos que não caberiam no quarto, na casa, na cidade, no céu, mas teriam a medida exata do texto, das sinestesias, das alegorias cândidas que as palavras mudam em cada regaço.

Se você estivesse aqui agora, sua nudez não viria rápida ou exigente. Viria primeiro a contemplação de cada parte exposta, seja o pescoço, o braço, a perna, o colo… cada nova parte desfraldada seria um novo conhecer, um novo detalhe descoberto, uma nova forma de ver e sentir: um novo tudo. E quando houvesse a nudez, ah! Eu lhe tocaria as costas com as mãos, com a boca para que sentisses minha barba de dois dias… seguraria a tua nuca entre as mãos com força, para saberes que és minha, naquele momento serás minha e nada podes fazer para fugir…

E te entregarias. E ao entregar-te, mostraria-me os seus, do apetitoso tamanho que mais me apetece. Grandes o suficiente para caberem nas mãos, serem tocados hora com um carinho quase insensível, hora com uma fome tão grande e tão imediata que minha boca lhe devoraria antes que disseste que me permites.

E sem permissão te beijaria o colo, o ventre, a boca mais uma vez. E sem permissão te beijaria entre as pernas e esse beijo, muito mais do que beijo, seria sentido por você como uma tempestade que bate nas janelas do teu cérebro, balança todos teus sentidos. E te sentirias confusa por teres fome de mais deste saboroso beijo, mas ganância por outra coisa mais. E suas unhas desejosas feririam minha carne e, sanguinolento e submisso, não me furtaria a dar-te mais e mais prazer quando minha boca e tua outra boca de vários lábios se encontrarem…

E tu suplicarias. E eu atenderia. E atendendo, deixar-te ia nos conduzir. Sobre mim vagarias como se cavalgasse no céu. Deixar-te-ia ser uma amazona sobre mim, corcel maduro. E minhas mãos cobririam os teus seios. E tuas mãos no meu peito seriam como rédeas e a me conduzir. E eu te ajudaria. E quando suplicante pedisses mais e mais, eu te daria tudo, tudo, com todas as minhas forças. E te entregarias, num misto tão suntuoso de sensações que por um instante perderias o espaço que existe perto de ti… e repousarias…

Mas não, possuo-te agora e deitas submissa. Respeito os primeiros minutos em que, rapidamente te recompões. E num ritmo cadenciado e crescente, seria eu a desfrutar do prazer de te dar mais prazer do que imaginas que terias. E, com os olhos muito abertos pelos novos espasmos que sentirias, gemes. Agora não há nada que segure tua boca e teus gritos podem ser ouvidos de longe. Seu corpo, coberto de suor pede mais, pede tudo, e te dou tudo. E vago na velocidade suicida e incontrolável, tão intenso que perco-te de vista.

Não estás mais ali. Sou eu. E nos perdemos. Sinto agora meu prazer que aumenta suavemente. Quero-te e dou-te o que pediras. Queres ser meu prazer e uso-te para o meu prazer. E ficas de quatro, ainda mais submissa. E deliro. Não que seja simples, descrever, apenas a sensação de possuir-te sem amarras me domina. E vou, errante e solícito, incandescente, enquanto suplicar por mim. E vou, mais e mais. Angustiante, o prazer tão próximo, tão necessário, tão urgente. Busco-o com os olhos fechados, sentindo minha virilidade em ti tão forte que não me agüento. E jorro…

E desfalecemos os dois, de olhos abertos. Agora é a melhor hora. A endorfina faz seu efeito nos nossos cérebros. Por alguns instantes não sabemos bem o que sentimos, nem descrevemos bem o que sentimos. Nestes instantes estamos vulneráveis, entregues, e por isso nos abraçamos.

E tu me beijarias, agradecida. E tu me dirias palavras bonitas e eu diria outras tantas. E desfaleceríamos, tão colados um ao outro como nunca se viu… até a próxima vez, quando tudo recomeçaria, de uma forma totalmente diferente…

janeiro 26, 2011

A primeira vez…

por poetamatematico

Respiração arfante, os olhos fechados e ela não acreditava ainda no que estava fazendo. Um monte de coisas passavam pela cabeça enquanto ela deixava aquela boca passear pela sua, as mãos macias e de unhas comidas passarem pelo seu corpo. Passou as mãos pelo cabelo dela, cortado rente. Podia sentir o lugar onde o babeiro tinha feito o pé do cabelo. Ela tinha um cabelo tão bonito, dourado…

- Gostou do cabelo? Eu cortei pra você – a outra disse, olhando-a nos olhos – Você disse que preferia assim e eu fico assim pra sempre se você quiser.

A primeira, que se chamava Rute, desvencilhou-se de Luíza.

- Você não entendeu – disse Rute – eu disse que não podia ser, que a gente não podia.

- Por quê?

- Ora! Você sabe…

Estavam as duas no quarto de Rute. Luíza tinha entrado pela sala de supetão e dado um susto em Rute. Não que fosse a primeira vez que tinham se beijado, elas faziam isso desde sempre, mas dessa vez foi diferente, mais intenso, mais confuso… Luíza tirou o cigarro da jaqueta e acendeu. Estava vestida que nem um menino, calças jeans, jaqueta de couro e camisa preta folgada. Deu uma volta para que a outra a visse e sorriu.

- Sabe que eu gostei? – disse Luíza – eu devia era ter feito isso há mais tempo…

- Não, você não devia ter feito isso – disse Rute, levemente descontrolada – e ainda vem aqui, me beija e diz que a culpa disso tudo é minha.

Luíza chegou perto de Rute, colocando-a contra a parede. Dessa distância Luiza podia sentir o cheiro de cigarro e o corpo quente e macio da outra. Luíza apertou o queixo de Rute com força e sorriu:

- Escuta aqui, sua boba. É tudo por você mesmo e você sabe…

Rute tentou se desvencilhar, mas Luíza era mais forte. E Luíza a beijou na marra mais uma vez, só que dessa vez foi bem mais intenso. Luíza usava todo o seu corpo para pressionar Rute contra a parede. Primeiro esta resistiu, mas depois, com a confusão das coisas passando pela sua cabeça ela relaxou.

E relaxando pôde sentir os seios de Luíza, soltos sob a blusa, colados nos seus. Pôde sentir o hálito quente que agora tomava conta do seu pescoço. Pôde sentir as mãos que antes apenas passeavam sobre a roupa e que agora se embrenhavam, tocavam a pele e iam explorando-a toda.

Capitulou…

Deixou-se conduzir para a cama e que a outra a beijasse onde queria. De olhos fechados ela sentia aqueles lábios macios e carnudos passando por pelo pescoço, pelos braços, pela barriga… De olhos abertos era como se um homem, agora sem camisa estivesse a possuindo naquela cama pela primeira vez.

E deixou-se despir. A vergonha pelos seios nus foi logo substituída pela excitação daqueles lábios tocando os mamilos, primeiro de leve em volta e depois abocanhando com sofreguidão. As mãos também apertavam os seios, fazendo com que a pele morena se acostumasse com aquele toque lascivo e poderoso.

Quando a outra tirou a sua calça, ela não sentiu vergonha do seu corpo. Sentiu-se poderosa, desejada, como nunca antes. E quando ela sentiu o hálito quente da outra entre suas pernas teve certeza de que seria dela e que se entregaria a ela naquela tarde.

E se entregou…

Completamente nua deixou que a outra abocanhasse seus outros lábios. Tremeu ante a sensação desconhecida e ficou no início tímida. Porém, aos poucos deixou que a outra se deliciasse com seu sabor e relaxou. Olhos fechados, sentiu primeiro a respiração acelerar, depois a taquicardia. Aos poucos os mamilos, os pelos do corpo, tudo se juntando em sensações inteiramente novas e vibrantes.

E assim ela apertava a cabeça da outra e Luiza, ciente disso, ia com mais empenho, fazia com mais força, dava a Rute tudo o que ela que desejava. E Rute, dominada, agora balançava devagar o ventre, involuntariamente.

E veio o primeiro dedo. Primeiro sentiu-se invadida, mas deixou que a outra continuasse. E não se arrependeu. Como Luíza fazia bem! Ruth apertava os próprios seios e gemia, rebolando para a outra, mostrando o tamanho prazer que sentia. Luíza, orgulhosa continuava invadindo, devagar e aos poucos preencheu Ruth…

Agora faltava pouco. Aqueles dedos, aquela boca, muito mais do que ela imaginou que seria. E, totalmente controlada pela outra explodiu num orgasmo intenso.

Luiza a beijou e ficou ali acariciando o queixo da outra que se aninhava nela. Sorriram, satisfeitas…

- Obrigada.

- Pelo quê?

- Por insistir…

- E se eu não insistisse seria eu? Nunca…

 

 

 

 

janeiro 25, 2011

Iasmin

por poetamatematico

- Tem certas coisas que você faz – ela disse – que têm um poder sobre mim maior do que eu sou capaz de explicar.

Ele sorriu e passou a mão pelos cabelos lisos. Era um tique dele, passar a mão na cabeça quando estava envergonhado ou nervoso. Ela achava lindo isso que ele tinha de ser tímido nas horas convenientes. Ele levantou-se de cama, ainda nu e perguntou se ela queria alguma coisa da cozinha. Ela disse que não e ele saiu.

Ela deitou na cama com as mãos cruzadas sob a nuca e ficou lembrando dos detalhes da noite. Detalhes, nisso ele era bom, ele sabia preparar cada coisa nos mínimos detalhes. E sabia improvisar também, o que era uma baita qualidade. “Cara, qual é o problema desse homem?”, disse consigo mesma. Mas ela no fundo sabia que o problema era ela tentando achar problema em tudo que era coisa. Ele era o primeiro em muita coisa e isso a deixava assustada. Ficava assustada das coisas que ela dizia pra ele, da maneira como ela se entregava pra ele livremente, com não tinha feito com nenhum outro. Aos outros homens ela se deixava tocar. A ele, ela se deixava conduzir.

E ele a conduzia, fazendo dela o que quisesse. Tinha dias que a xingava de puta, de vagabunda e a deixava toda roxa nos pulsos, nas pernas e nos seios. Tinha dias que ele fazia amor a olhando nos olhos e ela ficava assustada de perceber como ele conseguia dominá-la também de olhos abertos enquanto se mexia bem devagar, por horas. E tinha dias que ele não fazia absolutamente nada a noite inteira, só ficava sentado vendo um filme chato com ela até dormir, e isso era absurdamente bom.

“É a paixão, Iasmim, você sabe…”. “Mas você sabe que não pode, Ele não pode. Ele não quer você…”

E quando ele voltou, ela estava triste. Ele sorriu, deitou do lado dela mansinho e a beijou na testa. Ela se aninhou no peito dele e ficou sentindo o coração bater bem tranqüilo. E entendeu que perfeição se faz nos detalhes…

 
 

  

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